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domingo, 12 de outubro de 2008

A Estratigrafia está ligada à deposição de material ao longo do tempo. As características destas deposições variam de acordo com diversas condições.
Assim, os estratos podem-se dividir consoante a espessura que adquirem:
- Lâminas: estratos com espessura <1cm
. finas: 10mm-0.5cm
. espessas: 0.5cm-1cm
- Camadas: estratos com espessura >1cm
. finas: 1cm-10cm
. médias: 10cm-30cm
. espessas: 30cm-1m
. muito espessas: >1m


A não deposição de material pode decorrer durante algum tempo o que origina limite de camadas (junta/plano de estratificação). Se ocorrer erosão surgem descontinuidades.
Estas podem ser de vários tipos:

Descontinuidades Sedimentares - Descontinuidades entre duas lâminas correspondentes a marés sucessivas num intervalo de tempo muito curto. Podem atingir vários metros e indicam-nos uma simples ausência de deposição (descontinuidade passiva) ou a destruição parcial ou total da lâmina anterior (descontinuidade erosiva).

Descontinuidades Estratigráficas - Quando duas unidades são separadas por um intervalo de tempo. Podem alongar-se por vários quilómetros.

Descontinuidades Diastróficas - Quando à ausência de determinada unidade geológica se associa uma deformação tectónica (formando uma discordância angular).


Existem assim diferentes contactos entre unidades litológicas:
- Estratigráfico normal

Concordante - sempre que há continuidade entre unidades sucessivas.




Paraconformidade - quando não há diferença de atitude entre as unidades sobrepostas mesmo que faltem diversos conjuntos líticos que é comum corresponderem a vários milhões de anos.




- Intrusivo - Quando um corpo ígneo atravessa as unidades já sobrepostas.

- Discordante
Não Conformidade - contacto entre um conjunto sedimentar e um corpo ígneo ou conjunto metamórfico mais antigo.





Disconformidade/Ravinamento - Superfície erosiva que põe em contacto rochas sedimentares com a mesma atitude, portanto não conforme a estratificação.




Discordância Progressiva - Quando os diversos níveis vão fazendo ângulos progressivamente diferentes com o substrato.



Discordância Angular - As inclinações do conjunto superior e inferior são diferentes, fazendo um ângulo entre si.

Se houver erosão após a inclinação dos estratos mais antigos antes da deposição dos novos sedimentos que darão origem à estratificação inicialmente horizontal, diz-se haver uma Discordância Angular Erosiva.



- Mecânico
Falha
Deslizamento



Os depósitos sedimentares podem dispor sobre o substrato de duas maneiras:
Onlap - Quando as camadas sedimentares se extendem progressivamente para o exterior da bacia.


Offlap - Quando as camadas sedimentares se vão retraindo progressivamente afastando-se do bordo da bacia.




Existem ainda termos relacionados com a ausência de sedimentação que pode ter durações muito variadas, constituindo formações com diferentes denominações, tais como:
- Hiato - quando a duração é curta.
- Diastema - interrupção curta, sem modificação nas condições de sedimentação.
- Lacuna - quando a duração é apreciável e pode ser avaliada biostratigraficamente.









Em Portugal, um dos maiores e mais espectaculares afloramentos em que é possível verificar uma descontinuidade, no caso, uma discordância angular, situa-se no Algarve (Praia do Telheiro), entre os grés vermelhos do Triássico e os xistos e grauvaques dobrados do Carbónico Superior. Formam o limite entre a Bacia do Algarve (grés de Silves) e a Zona Sul Portuguesa (grauvaques).










Bibliografia:
-
http://moodle.fct.unl.pt/mod/resource/view.php?id=93673 (Descontinuidades sedimentares e tipos de contacto entre unidades litológicas) (Prof. João Pais, UNL) (9.10.08)
- Apontamentos Estratigrafia e Paleontologia, Prof.Paulo Legoinha, FCT-UNL 08/09
-
http://geopor.pt/gne/ptgeol/contactos/contacto3.html (Triássico/Carbónico-Praia do Telheiro) (9.10.08)
- Fotos: Mariana Quininha 08/08

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Estratigrafia

A Estratigrafia é o ramo da geologia que estuda e interpreta a composição, origem, génese e distribuição temporal e espacial das rochas, assim como os acontecimentos e fenómenos relacionados com elas.

Através do reconhecimento e análise sequencial das camadas é possível fazer correlações que são essenciais na abordagem de todos os aspectos que caracterizam a História Geológica de cada local.

Há inúmeros factores que estão directamente ligados com este termo: a Paleontologia e Biostratigrafia que constituem elementos para que sejam identificadas idades relativas e que desenvolvem o conhecimento da Paleoecologia; a Sedimentologia que é responsável pela análise de fácies e ambientes sedimentares; a Geocronologia que distribui, ordena e faz relações espaço-temporais dos depósitos sedimentares, etc. Estes parâmetros fazem com que seja possível uma reconstituição de ambientes antigos (Paleogeografia).

As unidades utilizadas neste meio estão divididas:
Estratigráficas – materialização de conceitos conseguida através da observação e/ou dedução
Litostratigráficas – unidades observáveis, materiais, com significado geográfico restrito. São constituídas por conjuntos litológicos que se representam consoante uma trama. (ANEXO: trama.pdf)
Biostratigráficas – unidades observáveis, materiais, com grau de abstracção intermédio entre as lito e as cronoestratigráficas. Possuem um conteúdo fossílifero.

Cronostratigráficas – unidades objectivas, com expressão geográfica global. Rochas formadas em todo o mundo durante determinado intervalo de tempo.
Geocronológicas – unidades abstractas, com expressão geográfica mundial. Intervalo de tempo durante o qual se formaram determinados conjuntos líticos.




Estas unidades permitem a correlação, isto é, as relações entre diferentes cortes geológicos através das suas identidades líticas, biostratigráficas e cronostratigráficas.

Um geólogo tem, por isso, uma habilidade específica em trabalhar em 4 dimensões, pela percepção temporal do meio tridimensional.





Os Príncipios Fundamentais de Estratigrafia, fornecem-nos algum auxílio para a percepção da sequência de camadas em estudo:


Princípio do Actualismo – Baseado na frase “o Presente é a chave do Passado”, isto é, os fenómenos geológicos que existem actualmente podem explicar o que aconteceu no passado.



1. Ripples em praia actual 2. Ripples na rocha indicando antiga praia



Princípio da Sobreposição – Apresentado pela primeira vez por Steno, pode ser enunciado como “numa sucessão de estratos, os de baixo são mais antigos e os de cima mais recentes”. Esta aplicação não é só válida para as camadas que se encontram horizontalmente, mas também inclinadas, desde que a deformação de origem tectónica, posterior à deposição dos estratos, não tenha provocado a sua inversão.






Princípio da Inclusão – Se um fragmento de uma rocha A está contido numa rocha B, então a B é mais recente que a A. Ex.: conglomerados, brechas.






Princípio da Continuidade Lateral – Em diferentes pontos da Terra pode haver a mesma sequência de estratos. A correlação entre camadas é válida tendo a mesma datação, mesmo que falte um elemento.







Princípio da Identidade Paleontológica – Se dois estratos tiverem o mesmo conteúdo fossílifero, têm a mesma datação. Neste princípio a existência de espécies que tenham evoluído de forma relativamente rápida e com distribuição geográfica o mais ampla possível – fósseis característicos – ajudam na interpretação deste parâmetro.







Princípio da Intersecção – Toda a estrutura geológica que atravesse outra é mais recente do que a que é atravessada. Ex.: Falhas, filões, superfícies de erosão, batólitos ígneos.




Podemos então concluir que a Estratigrafia é essencial na reconstituição da História da Terra, seguindo as relações no espaço e no tempo dos conjuntos líticos e dos fenómenos neles existentes.

Bibliografia:
- http://www.slideshare.net/catir/princpios-estratigrficos/ (Princípios Estratigráficos) (29.9.08)
- ROCHA, P. (2006) – Geologia 12 – Areal editores.
-
http://moodle.fct.unl.pt/mod/resource/view.php?id=93674 (EstPal_0809: Princípios fundamentais da Estratigrafia) (29.9.08)
-
http://moodle.fct.unl.pt/mod/resource/view.php?id=93669 (EstPal_0809: Aspectos gerais da Estratigrafia –João Pais UNL) (29.9.08)
-
http://www.fgdc.gov/standards/projects/FGDC-standards-projects/geo-symbol/FGDC-GeolSymFinalDraft.pdf (Federal Geographic Data Comittee)(29.9.08)